sábado, 15 de novembro de 2008

Ganhar peso depois de casar não é regra !

Vamos lá para mais um post ! Desta vez é bem curtinho. Na verdade é uma observação que fiz há um tempinho atrás. Como ando meio sem tempo de parar no meu próprio loft, ele anda meio sem novidades. Mas agora passei aqui e vamos tomar uma coca-cola juntos. Enquanto isso, deixa eu contar uma coisa engraçada que eu vi outro dia. Sabe aquela estória que dizem que depois que o homem casa ele começa a engordar. Na certa porque a mulher prepara comida gostosas, e eles acabam comendo mais do que na época de solteiros. Pois bem, eu reparo que acontece isso realmente com muitos, e com outros desafortunados que a mulher não fez amizade com a cozinha ainda (e às vezes nem pretende) a situação permanece na mesma. Agora, outro dia fui solicitar a assinatura de um carinha no escritório e, para minha grande surpresa, quando vi as mãos dele, notei que sua aliança de casamento sambava no dedo de tão folgada. Pensei: ou ele fez redução de estômago, ou teve alguma enfermidade que o fez perder muito peso, ou o coitado além de ter uma mulher que não cozinha, não tem empregada e está passando um "perrengue" para conseguir se alimentar em casa. Este, definitivamente, não teve a sorte da maioria dos brasileiros depois que casou, está quase chegando ao ponto de sofrer maus tratos (hehehe essa parte eu sei que foi um exagero).

quinta-feira, 22 de maio de 2008

De médico e louco todos têm um pouco

É, confesso que não tenho postado na freqüência que gostaria e, por isso, acabo ocultando do blog situações interessantes e outras tantas inusitadas que tenho para contar. Mas eu tento ! I try, I try, ... rs

Então, sem rodeios vamos direto ao assunto. Ontem, estava eu no metrô indo para o meu recanto depois de um dia meio chato, acinzentado, cansativo, porém não pouco divertido. Eis que como de costume o coletivo estava cheio e eu estava de pé a ponto de puxar meu livro (enfim estou lendo sobre filosofia, assunto que sempre me despertou curiosidade), porém, não mais que de repente, a pessoa ao meu lado solta um inesperado "- Ai, meu Deus! Não acredito nisso." Pensei ser mais uma das que classifico como "novatas em metrô" que reclamam de tudo durante a viagem e acham que as pessoas não darem espaço suficiente para elas se acomodarem é um absurdo. Como não me vi esbarrando na mulher, fiquei calada e mal olhei-a. Não tenho muita paciência para com desconhecidos. Passada uma estação, ouvi outra coisa soada com a mesma voz de antes: "- Não pode ser, é muita falta de sorte! Hoje não!" Olhei para o lado para reafirmar-me de que havia um palmo de distância entre nós, então as expressões não dirigiam-se a mim.

Então, no mesmo instante em que olhei a mulher vira-se para mim elevando a mão ao rosto tentando se esconder e com um sorriso no canto da boca começa a falar me olhando. Conclusão: ela estava tentando puxar assunto. E era comigo. Como não sou sociável com estranhos, apenas ouvi e retribui o sorrisinho no canto da boca. Mas a frase que ela me disse enquanto tentava se esconder me fez pensar rapidamente e traçar um perfil parcial da mulher. Ela me disse assim: "- Não pode ser ele. O garoto da internet. Eu só vou conhecer amanhã! Ele tá me olhando. Só pode ser ele. É muito parecido. Ai, logo agora que eu estou assim, mal vestida é que ele vai me conhecer ? Ele vai me reconhecer!" De imediato meu cérebro processou: mulher, morena, baixa estatura, solitária, poucos amigos, sonhadora, tímida, ingênua e com grau de invenção que beira a loucura. Pronto! Já era a minha intenção de me encantar mais com os pensamentos de Aristóteles no meu livro de filosofia. Afinal, eu tinha uma potencial doidinha ao meu lado e precisava ficar atenta pois ela estava tentando estabelecer contato.

Disfarçadamente olhei na direção em que ela havia olhado quando falou comigo. Nenhum alvo reconhecido. Só vi mulheres e velhos. Olhei mais uma vez para ter certeza. A mesma conclusão. Reafirmei para mim em silêncio que ela estava vendo pessoas e inventando histórias em sua particular loucura. O melhor a se pensar era que ela descesse em alguma estação antes da minha para eu ter um pouco de paz. Mas ela não parava de falar.

"- Agora ele me reconheceu! Ele olhou para a mãe, riu e depois olhou para mim. Se eu percebi que é ele, ele já sabe que sou eu também. Tudo bem que só nos conhecemos por foto. Mas eu já sei que é ele. Ele vai saber que sou eu, a da foto. Se eu conseguisse ouvir ele falar, eu teria certeza na hora. Se ele descer na mesma estação que eu, não vai precisar dizer mais nada, é ele mesmo! E se ele vier falar comigo? Ai, vou me esconder. Ele riu!" E mais um monte de blá blá blá. Eu já estava pensando em como ela podia ter tanta certeza e convicção ao mesmo tempo que desconfiava ser o tal cara, além de só conhecer ele por foto mas se ouvisse a voz dele teria certeza da pessoa. E mais, como ele poderia estar falando com a mãe dele se eu só tinha visto homens velhos e as mulheres certamente não tinham idade para terem filhos daquele tamanho! E como ela sabia que era a mãe do cara? Será que a mãe mandou foto para ela também?

Para não me igualar na loucura do assunto, perguntei: "- Ele está aonde? Quem é?" Daí ela me deu a localização exata da pessoa e eu identifiquei um típico nerd de costas sem nenhuma mulher por perto e que sequer olhava em nossa direção, absorto em seus pensamentos. É ... e ela não descia em nenhuma estação.

Tão instantaneamente como quando começou a falar do nada, ela mudou de assunto para sua faculdade que ela não agüentava mais, definindo-a como "mundo de loucos". Prontamente perguntei se ela cursava psicologia e ela negou, para minha surpresa. E pasmem, o curso para loucos referido era ... serviço social! Daí, já tinha dado corda e acabei cedendo ao assunto. Entre conselhos dados e um "-Ai, meu Deus, não pode ser ele! É ele!" constante entre uma frase e outra fui tentando ser agradável.

Já cansando de me iludir que ela desceria na próxima estação, indaguei: "Você vai descer em qual?" Advinhem a resposta ??? Era a mesma estação que a minha! Pois é, a filosofia ficaria para outra hora, agora só haveria mesmo a filosofia da loucura para me entreter. Lá estava eu, ouvindo toda uma explanação em loop que alternava entre um curso de serviço social que a deixava "em desespero" como ela sempre repetia, um provável namorado virtual que resolveu se materializar no mundo real e a saga da talvez mais audaciosa decisão que ela tomaria este ano: trocar ou não de curso e fazer outro vestibular.

Uma estação antes da minha, ou melhor, nossa estação, o nerd desceu. Era a deixa para a ato final da peça que eu assistia. "- Pronto! Agora não precisa falar mais nada! É ele. É ele mesmo. Eu sabia! Ele mora perto de mim. Somos quase vizinhos!" Dei um sorriso, afinal na próxima estação eu iria descer, haveriam os agradecimentos, a cortina iria se fechar e a atriz iria para um lado e a sua única espectadora iria para outro. Que alegria!

Mas tudo bem, não era um show mas ainda tinha a saideira. Descendo as escadas ela me diz que outro dia um homem ligou para a casa dela por engano e ao perceber o sotaque do dito cujo ela notou que ele falava de Portugal. Ora pois, é não é que ela me disse que a mãe dela já estava reclamando que o gajo estava falando com ela há mais de 6 horas no telefone ?!?!?!?!?! Acreditem se quiser! Um engano telefônico que durou 1/4 do dia. Tudo bem, eu devia ter lembrado a ela que em Portugal a moeda é o euro, inclusive a conta de telefone era paga em euros, mas isso poderia constrangê-la e já era a saideira mesmo. Apenas sorri. Segui meu caminho pensando. Como diz o ditado de médico e louco todo mundo tem um pouco.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O verdadeiro ensinamento. Passado sem pronunciar uma palavra sequer.


"Seria possível que um cachorro - qualquer cachorro, mas principalmente um absolutamente incontrolável e maluco como o nosso - pudesse mostrar aos seres humanos o que realmente importava na vida ? Eu acreditava que sim. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas que não tinham importância. Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros pela sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der o seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não."


John Grogan - Trecho retirado do livro "Marley & Eu - A vida e o amor ao lado do pior cão do mundo"

segunda-feira, 31 de março de 2008

Para ter educação é preciso pré-disposição

Depois de um bom tempo sem entender o porquê de algumas pessoas provenientes de famílias bem educadas simplesmente não terem absorvido a mesma etiqueta, cheguei à conclusão depois de algumas observações de que, para ser educado não basta receber a educação, precisa também querer absorvê-la. Como todo aprendizado, não basta ter acesso, você precisa querer aprender. Está aí o motivo de certas pessoas parecerem não pertencer à uma família quando trata-se de educação. A pessoa vive em um ambiente com pessoas que praticam a boa educação, porém não fazem questão de repetir as mesmas boas atitudes.
Pessoas assim são facilmente encontradas em todos os locais, em todos os círculos. Estão entre amigos, colegas de trabalho, vizinhos, colegas de classe, parentes, etc. Mas, basta saber lidar com elas que isso vira mais um detalhe entre tantos. Cada um age de uma forma, eu ignoro, e você ?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Olhos arregalados

Qual o efeito da coação sobre o ser humano ? Medo ? Adrenalina ? Frustração ? Submissão ? Não sei. Talvez um pouco de cada coisa e mais algumas outras que misturando-se causam uma reação de temor com um toque de surpresa. E qual a sensação de coagir alguém ? Poder ? Controle ? Alegria ? Posse ? Respeito ? Também não sei. Mas deve ser algo bom para a pessoa, no caso de ela gostar de repetir tal ação.
Diariamente vejo pessoas serem coagidas por outras e o contrário também. Confesso que o papel de quem vê é realmente desagradável, mais ainda quando há uma dose de exagero. Por outro lado, é perceptível que, na maioria das vezes, para as partes envolvidas, tais ações não são explicitamente percebidas. O que torna a repetição do feito uma certa rotina.
Mas eu pergunto: poder, controle, alegria, posse, são facilmente aceitos. Mas até quando dá para tolerar doses diárias de medo, adrenalina, submissão ? Não sei a resposta certa, mas cada um tem a sua particular.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Insanidade saudável

Tudo começava normal, mais um dia. De repente, uma vontade de não fazer o programado para o dia. Chutar tudo e fazer diferente hoje ? pensei. Não, não. Preciso seguir minhas próprias regras para um dia normal, ou melhor, as da sociedade. Foi o meu freio matinal acionado, esperadamente. Ah, mas não sou o tipo de pessoa que se sente bem limitando a minha própria liberdade. Prefiro quebrar regras à segui-las sempre. Na verdade, no meu íntimo sei que prefiro ditá-las rsrs Então, mesmo indo de encontro à minha própria pessoa, preferi seguir o que estava programado para o dia. Eis que, nada do que fora antes programado chegou a acontecer devido a uma seqüência de imprevistos que alteraram a minha manhã. Eu poderia ter contornado e seguido adiante para tentar fazer tudo o que antes fora previsto para o meu dia. Mas não. Parei por um instante, pensei. A manhã inesperada foi o motivo para eu dar asas ao meu pensamento inicial do dia. Pronto ! Naquele instante, deixei que tudo fosse diferente, fora do meu habitual, por um dia. Vou me dar o luxo de ser mais eu, ao menos por um dia, foi o meu pensamento e também a minha regra para eu mesma. Pois bem, deixando as coisas acontecerem, todo o inesperado foi bem-vindo a partir de então. Fiz coisas que sempre quis fazer antes, mas sempre deixava a rotina dominar. Vou citar os acontecimentos principais deste dia insano para a minha normalidade, e ao mesmo tão simples. Para começar, troquei alguns móveis de cômodo em casa. Desmontei, mudei, aparafusei e rearrumei algumas coisas. Machuquei meus pés, ralei, esfolei, sangraram. Tudo bem, coisa de principiante. Mas no final ficou cada coisa em seu novo e devido lugar. Parte da diversão foi ver os rostos admirados com a minha, até então, desconhecida habilidade para desmontar e remontar móveis. Ouvi até brincadeirinhas para eu tentar o ramo da marcenaria. Foi engraçado. Feito o trabalho braçal do dia, parti para o shopping para o que seria apenas uma passagem rápida ao cabeleireiro. Cheguei pontualmente no horário marcado e fiquei lendo uma revista de celebridades (que estão mais para pessoas famosas que se dizem célebres) repleta de páginas com as festas de reveillón, enquanto aguardava que minhas madeixas terminassem de ser remodeladas. Em um vira-vira de páginas, pensei: Poderia ver o filme que eu queria: P.S. Eu te amo ! Mas daí me liguei que a sessão seria em 20 minutos e não daria tempo de minha companhia chegar para vê-lo comigo. Mas como hoje era um dia diferente, resolvi fazer o que nunca tinha feito antes na minha vida, por achar totalmente apático: ir ao cinema sozinha. Acredite, foi incrível ! Me senti totalmente dona da minha vida, sem regras. A princípio achei que seria a única pessoa desacompanhada na sessão, mas logo me surpreendi com tantas pessoas na fila comprando os ingressos e partindo solitárias para a sala do filme. Achei tudo mais encantador ainda. Eu parecia uma criança quando a mãe deixa sair sozinha pela primeira vez. Uma sensação única durante o filme, éramos somente eu e eu mesma lá comigo. Olhando para os lados, vi que várias outras pessoas estavam sozinhas também. Percebi que isso era algo normal, mas para mim era meio insano rsrsrsrs O filme foi bom, uma comédia romântica. Não vou contar a história aqui pois alguém pode querer vê-lo também. Não foi o melhor filme de Hillary Swank, mas foi um dos bons. Acho que o mehor que ela fez até agora foi Menina de Ouro. Foi na esperança de ver algo parecido que quis ver P.S. Eu te amo, mas era um filme diferente, muito bonito, porém, menos tocante do que Menina de Ouro. Tirando o sorriso de Swank que deixa-a horrorosa, o filme foi ótimo. Terminado o filme, a pipoca e a coca zero, paguei o estacionamento e fui para casa já contente com minha nova "travessura". Quando cheguei ao estacionamento, o clima já não estava quente como quando cheguei. E daí ? Entrei no carro, mantive os vidros fechados, liguei o ar-condicionado com todas as saídas de ar viradas exclusivamente para mim, coloquei o cd da Rihanna muito, muito, muito alto e fui para casa acelerando o máximo que dava dentro do limite seguro para não arriscar a minha vida e nem a dos outros que nada tinham a ver com meu dia só meu. Vim cantarolando as músicas tão alto quanto o volume do som, e chacoalhando o corpo, tentando dançar do jeito que dava enquanto dirigia. Os outros motoristas me olhavam com caras estranhas e eu achando tudo muito engraçado, cantava mais forte. Parava nos sinais e começava a dançar e cantar sozinha, rindo. Pensei: esse é o meu verdadeiro eu que vive escondido. Me senti tão bem, tão livre, tão dona de mim mesma. Existem pessoas que precisam estar rodeadas de outras para sentirem-se bem, eu fico super feliz com a minha própria companhia. Voltei para casa e não comentei nada sobre, seria um segredo só meu. Ou melhor, nosso. Depois que publiquei no blog rsrs Estes foram os principais trechos de um dia inesperado e insano para mim, porém, totalmente saudável, simples e ingênuo. Fico feliz com as coisas mais simples rsrsrs

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Tentando ganhar tempo

Hoje é aniversário de alguém ou é data de alguma coisa. Bem, até agora só não me lembro do quê. Culpa da minha memória já afetada, não sei se já é pela idade ou porquê com o passar do tempo fui tornando-me cada vez mais distraída. Distração essa que me trouxe muitas vantagens para levar melhor a vida, diminuindo meu grau de irritabilidade com coisas supérfluas e que como eu digo: "-não levarei para o meu caixão". Isto faz eu me sentir mais leve e, conseqüentemente, mais feliz. Deixo para quem se prende a detalhes, perder seu tempo com "coisa pouca". Mas esta mesma distração me traz o inoportuno esquecimento de várias coisas. Mas tudo bem, é a paga por uma vida mais alegre. Já que ainda não me lembrei o que há de importante no dia de hoje, vamos ao real intento deste post. Estou fazendo um teste de qual é o meio de transporte mais viável para ir da zona norte ao centro da cidade do Rio de Janeiro na hora do rush matinal. A variante de hoje é que estamos em período de férias, então, há menos carros trafegando pelas ruas. As minhas opções são: ônibus (estilo frescão) ou metrô. Por anos adotei o ônibus por ser uma única passagem gasta, tem ar-condicionado, vou sentada, dá para dormir se eu quiser e ainda me deixa na porta do prédio onde trabalho. Só que para ir de ônibus tenho que sair muito mais cedo de casa, pois o engarrafamento dura mais tempo do que fazer o mesmo trajeto novamente sem ele. Depois, passei a preferir dormir mais tempo na minha cama quentinha e também por outros fatores que, se eu citar, renderiam outro post, resolvi ir de metrô. Para isto, preciso pegar um ônibus até o metrô (e ainda ver um outro ônibus confortável da linha frescão passar, enquanto espero um "quentão" barulhento chegar). Depois pego o metrô que não tem engarrafamento mas tem muitas outras coisas. No horário que eu vou não funciona mais o vagão das mulheres, então, vamos todos, desconhecidos entre si, juntos, começar a nossa aventura diária. Para começar, tenho que encontrar meu espaço no vagão em meio a dezenas (muitas!) de pessoas e tentar permanecer no mesmo lugar depois de levar um empurrão aqui, uma cotovelada ali e umas bolsadas eventuais. Enquanto isso, o metrô vai lotando mais a cada parada. Eu, espertamente, já fico do lado em que a porta só abre duas vezes até chegar na estação que faz baldeação para a outra linha. Vou ali quieta, sem perturbar ninguém, sempre lendo um livro ou ouvindo mp3. A minha única certeza, que me consola, é a mais sábia lei da física que diz: "dois corpos não ocupam o mesmo espaço". Depois de muito aperto, freadas bruscas (diz o povo que é para "arrumar" as pessoas no metrô) e de ficar parada embaixo do solo um pouco depois de ter ouvido aquela vozinha doce (especialmente quando se está atrasado) que repete em loop: "Atenção ! Permaneceremos parados por mais alguns instantes aguardando a normalização do tráfego à frente", seguido do coro "Aaaaahhhh..." dos desconhecidos porém, tão próximos (literalmente) colegas de vagão. Quando chega na estação de baldeação sai aquela avalanche de pessoas de todos os vagões correndo ao mesmo tempo na direção das escadas. Daí o que já era ruim consegue ficar ainda pior, porque antes eu havia entrado em um vagão cheio que foi enchendo mais enquanto eu já estava lá dentro, agora, são todos ao mesmo tempo querendo entrar no vagão da outra linha. Depois de todo o empurra-empurra, caras feias, e reclamações, o vagão está abarrotado novamente com os novos coleguinhas que se misturaram entre si. Dentre eles, têm sempre os mal-cheirosos que já transpiraram bastante no aperto anterior e sempre tem um que pára do meu ladinho ("-ô, "diliçia"! "). Já aconteceu de eu sair com meu perfume e chegar no trabalho cheirando a outro, que por sorte não era ruim. Percebeu agora como é lotado, né ? Mas ainda não acabou. O auge da aventura é quando chega na estação Central e o metrô já está lotado, mas quando você vê do outro lado da porta tem umas vinte pessoas para entrar, sem exagero, vindas da estação de trem. A melhor trilha sonora para a ocasião é: "solta DJ, o show vai começa-aaar ...", do Mc Leozinho. Porque neste momento o empurra-empurra já é mais agressivo, tem brigas, a famosa piadinha do táxi, cada discussão homérica entre pessoas que nunca se viram. Algumas são até engraçadas. Tem sempre um grupo que toma partido de alguém que está brigando, e a história rende. Após tudo isso, a cada estação as pessoas vão descendo aos montes, finalmente. E eu já saio na porta do meu trabalho, praticamente. A vantagem é que o tempo gasto no metrô é mais ou menos fixo, dependendo de quanto tempo ele fique parado "aguardando a normalização do tráfego à frente", eu levo em média 1 hora para chegar na empresa. De ônibus ... bem, já é um tempo variável. Geralmente, demora 1 hora e 45 minutos. Me disseram que no período de férias leva 45 minutos. Como eu ainda acredito nas pessoas, resolvi arriscar. Levei 1 hora e 20 minutos. Resultado: me atrasei ! Puuuuuuuutz !!! Amanhã, eu e meu inseparável livro estaremos no metrô. Novamente. Preferiria ir de ônibus, mas não vai rolar. "... na primavera calmaria, tranquilidade, uma quimera, queria sempre essa alegria, viver sonhando, quem me dera ..."
P.S: Quando cheguei na empresa, a primeira notícia que recebi foi que hoje é o aniversário de um colega de trabalho. Viu ? Parte da minha memória nunca falha rsrsrs