Hoje é aniversário de alguém ou é data de alguma coisa. Bem, até agora só não me lembro do quê. Culpa da minha memória já afetada, não sei se já é pela idade ou porquê com o passar do tempo fui tornando-me cada vez mais distraída. Distração essa que me trouxe muitas vantagens para levar melhor a vida, diminuindo meu grau de irritabilidade com coisas supérfluas e que como eu digo: "-não levarei para o meu caixão". Isto faz eu me sentir mais leve e, conseqüentemente, mais feliz. Deixo para quem se prende a detalhes, perder seu tempo com "coisa pouca". Mas esta mesma distração me traz o inoportuno esquecimento de várias coisas. Mas tudo bem, é a paga por uma vida mais alegre.
Já que ainda não me lembrei o que há de importante no dia de hoje, vamos ao real intento deste post. Estou fazendo um teste de qual é o meio de transporte mais viável para ir da zona norte ao centro da cidade do Rio de Janeiro na hora do rush matinal. A variante de hoje é que estamos em período de férias, então, há menos carros trafegando pelas ruas. As minhas opções são: ônibus (estilo frescão) ou metrô.
Por anos adotei o ônibus por ser uma única passagem gasta, tem ar-condicionado, vou sentada, dá para dormir se eu quiser e ainda me deixa na porta do prédio onde trabalho. Só que para ir de ônibus tenho que sair muito mais cedo de casa, pois o engarrafamento dura mais tempo do que fazer o mesmo trajeto novamente sem ele.
Depois, passei a preferir dormir mais tempo na minha cama quentinha e também por outros fatores que, se eu citar, renderiam outro post, resolvi ir de metrô. Para isto, preciso pegar um ônibus até o metrô (e ainda ver um outro ônibus confortável da linha frescão passar, enquanto espero um "quentão" barulhento chegar). Depois pego o metrô que não tem engarrafamento mas tem muitas outras coisas. No horário que eu vou não funciona mais o vagão das mulheres, então, vamos todos, desconhecidos entre si, juntos, começar a nossa aventura diária. Para começar, tenho que encontrar meu espaço no vagão em meio a dezenas (muitas!) de pessoas e tentar permanecer no mesmo lugar depois de levar um empurrão aqui, uma cotovelada ali e umas bolsadas eventuais. Enquanto isso, o
metrô vai lotando mais a cada parada. Eu, espertamente, já fico do lado em que a porta só abre duas vezes até chegar na estação que faz baldeação para a outra linha. Vou ali quieta, sem perturbar ninguém, sempre lendo um livro ou ouvindo mp3. A minha única certeza, que me consola, é a mais sábia lei da física que diz: "dois corpos não ocupam o mesmo espaço". Depois de muito aperto, freadas bruscas (diz o povo que é para "arrumar" as pessoas no metrô) e de ficar parada embaixo do solo um pouco depois de ter ouvido aquela vozinha doce (especialmente quando se está atrasado) que repete em loop: "Atenção ! Permaneceremos parados por mais alguns instantes aguardando a
normalização do tráfego à frente", seguido do coro "Aaaaahhhh..." dos desconhecidos porém, tão próximos (literalmente) colegas de vagão. Quando chega na estação de baldeação sai aquela avalanche de pessoas de todos os vagões correndo ao mesmo tempo na direção das escadas. Daí o que já era ruim consegue ficar ainda pior, porque antes eu havia entrado em um vagão cheio que foi enchendo mais enquanto eu já estava lá dentro, agora, são todos ao mesmo tempo querendo entrar no vagão da outra linha. Depois de todo o empurra-empurra, caras feias, e reclamações, o vagão está abarrotado novamente com os novos coleguinhas que se misturaram entre si. Dentre eles, têm sempre os mal-cheirosos que já transpiraram bastante no aperto anterior e sempre tem um que pára do meu ladinho ("-ô, "diliçia"! "). Já aconteceu de eu sair com meu perfume e chegar no trabalho cheirando a outro, que por sorte não era ruim. Percebeu agora como é lotado, né ? Mas ainda não acabou. O auge da aventura é quando chega na estação Central e o metrô já está lotado, mas quando você vê do outro lado da porta tem umas vinte pessoas para entrar, sem exagero, vindas da estação de trem. A melhor trilha sonora para a ocasião é: "solta DJ, o show vai começa-aaar ...", do Mc Leozinho. Porque neste momento o empurra-empurra já é mais agressivo, tem brigas, a famosa piadinha do táxi, cada discussão homérica entre pessoas que nunca se viram. Algumas são até engraçadas. Tem sempre um grupo que toma partido de alguém que está brigando, e a história rende.
Após tudo isso, a cada estação as pessoas vão descendo aos montes, finalmente. E eu já saio na porta do meu trabalho, praticamente. A vantagem é que o tempo gasto no metrô é mais ou menos fixo, dependendo de quanto tempo ele fique parado "aguardando a normalização do tráfego à frente", eu levo em média 1 hora para chegar na empresa. De ônibus ... bem, já é um tempo variável. Geralmente, demora 1 hora e 45 minutos. Me disseram que no período de férias leva 45 minutos. Como eu ainda acredito nas pessoas, resolvi arriscar. Levei 1 hora e 20 minutos. Resultado: me atrasei ! Puuuuuuuutz !!! Amanhã, eu e meu inseparável livro estaremos no metrô. Novamente. Preferiria ir de ônibus, mas não vai rolar.
"... na primavera calmaria, tranquilidade, uma quimera, queria sempre essa alegria, viver sonhando, quem me dera ..."
P.S: Quando cheguei na empresa, a primeira notícia que recebi foi que hoje é o aniversário de um colega de trabalho. Viu ? Parte da minha memória nunca falha rsrsrs
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Estou adorando os seus textos... Acho que vc está na profissão errada... rsrsrs
Bjao
Postar um comentário